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[Notícia] Uber - Jornalista vira Uber por um mês e revela as trapaças dos motoristas para enganar os passageiros e aumentar o faturamento!

Uber - Jornalista vira Uber por um mês e revela as trapaças dos motoristas para enganar os passageiros e aumentar o faturamento!

Ao abrir o celular para chamar um carro, aparece a mensagem: “Ganhe dinheiro com o Uber”. Em uma crise que deixou 12 milhões de desempregados, parece atraente a ideia de reforçar a renda com algumas horas de trabalho diárias, em regime flexível. Quem decide se colocar atrás do volante, no entanto, encara outra realidade.

A imagem do motorista competente e prestativo, que oferece água e bala de hortelã, está ficando para trás. Foi substituída por pessoas que, para não ficarem no prejuízo, dirigem à exaustão, fazem plantão de doze horas, abordam clientes nas calçadas e chegam a organizar cartéis.

Essas e outras questões fizeram parte do meu dia a dia ao longo do último mês. A convite de VEJA SÃO PAULO, sem me identificar como repórter, trabalhei como motorista do aplicativo. Aluguei um Renault Sandero e atuei na praça entre 20 de fevereiro e 19 de março.

O cadastro no serviço é bem simples, o que surpreendeu até o secretário municipal de Transportes, Sérgio Avelleda, em reunião com vereadores há duas semanas. “Descobri que os candidatos são aprovados apenas enviando a documentação pelo correio.” A verdade é que nem isso é necessário: fotos do registro do carro e da carteira de motorista podem ser despachadas pelo celular. Quem nunca trabalhou na direção deve incluir a observação “exerce atividade remunerada” na habilitação.

Isso significa realizar um exame psicotécnico e desembolsar 140 reais em uma unidade do Poupatempo. Na prática, é possível tornar-se uberista em quatro horas. Nem é preciso ter veículo próprio. Recentemente, locadoras despertaram para esse filão e passaram a alugar modelos básicos, com motor 1.0, ar-condicionado e quatro portas (perfil para se enquadrar na categoria UberX, a mais simples), por 1 700 reais, em média, a cada trinta dias. A facilidade acaba aí.

No primeiro dia, percebi que não ia ser moleza. Durante cinco horas, realizei catorze viagens em um percurso total de 112 quilômetros, o suficiente para provocar dores nos tornozelos, pela constante troca de marchas, e cansaço mental, culpa do trânsito caótico da metrópole.

O faturamento de 147 reais na jornada de estreia também causou desapontamento. Descontados a taxa de 25% do Uber mais a gasolina e o celular, lucrei 60 reais. Isso sem incluir gastos indiretos, como eventuais multas, manutenção, IPVA e depreciação do automóvel (se for próprio) ou aluguel (caso não seja). “O prestador do serviço é explorado não só na mão de obra, com o desgaste físico, mas também no seu capital”, afirma o economista Paulo Acras, presidente da Associação dos Motoristas Autônomos por Aplicativos.

Uber - Jornalista vira Uber por um mês e revela as trapaças dos motoristas para enganar os passageiros e aumentar o faturamento!

Recentemente, a entidade realizou um estudo para avaliar os rendimentos de 280 motoristas do Uber e concluiu que boa parte deles trabalha dezesseis horas por dia. A empresa contesta essa conta. De acordo com a contabilidade da companhia, metade dos parceiros atua menos de dez horas por semana.

Em outro resultado da pesquisa, a associação calculou que praticamente todos os consultados terminaram o mês no prejuízo, quando incluídos os gastos indiretos na conta. “Se não ficar pelo menos oito horas na rua, não dá para pagar nem um prato de comida”, diz Acras, que no ano passado apresentou ao Ministério Público do Trabalho uma denúncia de trabalho análogo à escravidão.

Há um exagero evidente na crítica. O faturamento diário pode chegar a 200 reais, por uma jornada de dez horas. Nesse esquema puxadíssimo, sem folgas no mês, os vencimentos chegariam perto de 6 000 reais, com um lucro de 2 000 reais. “Concentro meu turno nas horas do rush, quando a tarifa é mais cara”, explica Richard, uberista desde o ano passado, que pediu para não ser identificado e diz faturar 4 000 reais nos meses mais rentáveis.

Mas a maioria continua no negócio apenas por falta de opção. E, com a dificuldade para conseguir fechar o mês no azul, muitos estão apelando para uma série de artimanhas, dignas dos taxistas mais velhacos. Uma das mutretas mais prosaicas é aceitar uma viagem, mas estacionar a alguns quarteirões de distância do endereço de partida.

Impaciente, o cliente desiste da corrida, e o motorista fatura a taxa de cancelamento, de 7 reais (o usuário pode solicitar o reembolso pelo app). Essa dica me foi dada por colegas logo nos primeiros dias de trabalho. “É uma maneira fácil de ganhar dinheiro sem gastar gasolina”, diz Edson, uberista desde 2015.

A companhia afirma que monitora o movimento e desclassifica motoristas com vários cancelamentos seguidos de corridas, mas não informa quantos foram penalizados por essa prática. Há locais com esquemas bem mais elaborados, e, nesse aspecto, o Aeroporto de Guarulhos é imbatível.

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